Como disse o meu camarada de armas aqui do blog o meu post é repleto de cultura, passo a explicar; de certo que já conhecem a disciplina de Área de Projecto, e para esta disciplina um grupo da minha turma organizou uma viagem à Lagoa de Óbidos(podem passar plo blog do grupo através do link fornecido logo na 2ª linha do texto). Ora o meu post é um relato dessa viagem! o post está escrito como se fosse uma noticia em concordância com toda a carga cultural nele contida!!
Hoje, Sábado 10 de Maio, o grupo LUTIBAYA constituído por alunos da escola secundária Raul Proença e criadores do Blog “Salvem a Lagoa” realizou uma visita guiada à lagoa de Óbidos para a disciplina de Área de Projecto. A visita teve início com uma concentração as 9 horas da manhã em frente à câmara municipal das Caldas da Rainha e nela participaram 16 alunos da mesma escola (este número inclui já os 4 membros do grupo organizador), 2 professores; Lurdes Gonçalves, professora de Área de Projecto da turma e Edgar Ximenes, director do núcleo de Área de Projecto; Engenheiro civil e químico Eduardo Ferreira e, finalmente, Dr. Hélder Cardoso da associação PATO. Tendo em conta que as inscrições para este visita eram GRÁTIS e abertas ao público geral este número de participantes não deixa de ser um pouco desapontante…
Por volta das 9:30 começou a viagem até á Lagoa e depois de uma curta viagem chegámos ao destino previsto, aí, enquanto esperávamos pela chegada do Dr. Hélder, o Engenheiro Ferreira deu uma longa mas completa explicação sobre os problemas que afectam a lagoa e como eles surgiram, segue-se um resumo:
Aproximadamente 5 décadas atrás o maior problema era a poluição provenientes de vários rios cujos efluentes contaminados a partir de esgotos domésticos e de descargas de água contaminadas tornavam a qualidade da água da lagoa inadmissível. Isto já não se verifica, com a criação de ETAR’s para o tratamento das águas provenientes dos rios (ETAR da Charneca) estas águas são tratadas e depois são enviadas de novo para o mar através de tubagem subterrânea. No entanto, como as águas que saem da ETAR não são próprias para consumo, têm de ser libertadas a uma certa distância da costa, o tubo que faz o transporte da água situa-se a 2 km da costa e a sua abertura a cerca de 40 metros de profundidade. Este processo garante a qualidade da água quando ela chega á costa.
O problema que se põe com relação á poluição é que por volta do mês de Setembro com a chegada das 1ªs chuvadas a carga orgânica presente na água da lagoa aumenta drasticamente, pensa-se este problema seja causado pela suinicultura da região que com a chegada desta época libertem os seus efluentes, mesmo que de forma involuntária por falta de capacidade para lidar com as águas das chuvadas, para a lagoa. Fora dos 2 ou 3 meses posteriores a Setembro a qualidade da água da lagoa não apresenta problemas.
Ainda assim existe um outro problema que é mais preocupante, o assoreamento. Este consiste basicamente na deposição de areias no leito da lagoa, isto faz com que o volume de água da lagoa diminua pois o seu nível mantém-se constante. Com isto a temperatura da água sobe mais facilmente diminuindo a oxigenação da água o que pode levar a uma catástrofe ecológica como já aconteceu no passado. A solução seria fazer a dragagem das areias que estão a mais na lagoa, no mínimo 1 milhão de m3 o que custaria 10 milhões de Euros. O aspecto monetário poderia ser atenuado com a venda da areia retirada na zona que abrange a praia desde a aberta até ao cais, mas a remoção exagerada desta areia aceleraria o processo de erosão da costa, logo este processo nunca poderia ser usado para pagar os custos por completo. Para além deste problema todo o processo burocrático é extremamente demorado pelo que demorará ainda alguns anos a estar completo. Como se tudo isto não bastasse, como o problema mais mediático da poluição já foi resolvido, o interesse na lagoa pelas entidades responsáveis diminuiu substancialmente!
Com a chegada do Dr. Hélder da associação PATO partimos num passeio guiado pela lagoa com várias paragens para se verem as vistas e várias aves que se encontravam na lagoa. O tempo ventoso que ao princípio parecia não querer ajudar esta actividade acabou por não ser um obstáculo intransponível pois ainda se avistaram muitas aves, dentre elas, Fuselos, Pilritos, Alvéolas, Flamingos, Aves de rapina, Trambolhas, Borralheiros, e a Garça Vermelha, uma espécie ameaçada que se reproduz em zonas de caniçal com as da lagoa. Foi-nos dada uma explicação sobre a importância da lagoa como habitat natural não só par as espécies residentes mas também porque serve de abrigo para muitas aves na sua rota migratória tendo sido já avistadas várias raridades, como por exemplo, gaivotas vindas da América.
Sendo o Dr. Hélder, um anilhador profissional foi simpático ao mostrar-nos vários instrumentos utilizados nessa actividade explicando como são feitas as medidas às aves capturadas, como funciona todo o processo de armazenagem dos dados e para que podem ser usados posteriormente, para saber mais sobre a anilhagem podem visitar o site de Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves, www.apaa.pt
Depois desta explicação pelo Dr. fomos para outra zona da lagoa para continuar com a observação da fauna voadora, por fim retornamos à carrinha que nos serviu de transporte nas duas direcções e voltamos à cidade por volta das 13.